sexta-feira, 17 de abril de 2015

                Cidades de Papel - John Green
“Margo sempre adorou um mistério. E, com tudo o que aconteceu depois, nunca consegui deixar de pensar que ela talvez gostasse tanto de mistérios que acabou por se tornar um. ”
Olá leitores do Sobre Livros! Confesso, estou totalmente apaixonada pela narrativa do John Green. Tive uma verdadeira overdose dele nos últimos tempos. Mas, caramba, ele é genial! Sua narrativa leve e fluída nos conquista inteiramente, mesmo quando o assunto é tenso, Green consegue transpor para as páginas de uma forma tranquila e inspiradora.
Hoje quero apresentar a vocês o Cidades de Papel, mas já quero deixar claro que esse é o livro dele que eu menos gostei, e isso não quer dizer que o livro é ruim. Quer dizer apenas que me decepcionei um pouquinho com o final, mas a narrativa e a história continuam com a marca de qualidade exemplar do Green.
Cidades de Papel - John GreenCidades de Papel apresenta o amor platônico que Quentin nutre por sua vizinha Margo. Os dois são vizinhos há anos, e apesar de terem sido amigos durante a infância, foram se afastando durante a adolescência. E agora, com a formatura no Ensino Médio tão próxima, ele se surpreende com essa garota mais uma vez.
Quentin tem dois amigos incríveis – os personagens secundários que John Green escreve são tão maravilhosos que deveriam ganhar um livro só para eles! – Ben e Radar. Ben sofre bullingpesado devido a um incidente envolvendo uma calça molhada de sangue (nada grave, deixe-me acrescentar). Radar além de ser totalmente aficionado com seu site – opa! Identifiquei-me! – tem pais com uma coleção mais que curiosa: eles colecionam papais-noéis negros. A casa de Radar é lotada deles!
Quentin, Ben e Radar já tinham se habituado com sua rotina de pertencer a base da hierarquia social na escola. Quentin dispunha seu tempo entre estudar e suspirar pelos corredores por sua paixão secreta, Margo. Ele sabia que ela mal notava sua presença, mas sabia também que os populares da escola não o atormentavam tanto graças a proteção que sua amada exercia. Margo não queria andar com ele, mas também não era totalmente indiferente…
As idiossincrasias de Margo culminaram na fatídica noite. Aquela noite que Quentin jamais esqueceria. Que reviveria em sua mente e que o mudaria pra sempre.
Em uma noite, sem qualquer aviso, Margo bate na janela do quarto de Quentin e ordena que ele seja seu motorista e cúmplice naquela noite. Além de precisar usar o carro da mãe de Quentin, é claro… Mesmo estarrecido com a aparição, e sem entender porque ela o escolhera, Quentin passa a madrugada dando assistência a Margo.
E meus caros, essa assistência envolve vingança, ressentimento e uma boa dose de criatividade. Margo bolou um plano que durante toda aquela madrugada eles iriam se vingar das pessoas que magoaram Margo nos últimos dias. E mesmo se arriscando a ser preso, Quentin faz tudo que ela orienta. E no final da noite ele só pensa: depois de tudo que fizemos juntos, ela vai falar comigo no colégio!
E adivinhem o que acontece? Não ela não fala com ele. Também não continua o ignorando… Isso porque ela desapareceu. E tudo isso era exatamente o que Quentin “precisava” para ter sua vida virada de cabeça para baixo. Ele está determinado a entender e encontrar a garota dos seus sonhos.
O livro tem um ritmo empolgante, e ficamos o tempo todo com o coração acelerado para saber a próxima descoberta. Apesar de ser uma busca sem qualquer ideia do resultado, nos divertimos com a evolução dos personagens.
O que eu não gostei foi o desfecho, e quanto a isso não poderei discutir com vocês – spoiler, não! -, mas confesso que demorei uns dias para desengasgar. Sinceramente não engoli aquele final…
Deixando meu incomodo de lado, quero dar parabéns pelo trabalho gráfico da Editora Intrínseca. Sou uma grande admiradora do trabalho dessa editora – já perceberam isso, né? – e ela voltou a me encantar com Cidades de Papel. A capa traz o conteúdo do livro, com suas folhas amareladas e revisão satisfatória.
Indico o livro para aqueles que buscam um romance com pitadas de mistério… É super divertido tentar descobrir o paradeiro da Margo, junto com Quentin, Ben e Radar! Narrativa impecável do queridíssimo John Green. Boa leitura!
“Hoje, meu bem, vamos acertar um monte de coisas que estão erradas. E vamos estragar algumas que estão certas. Os últimos serão os primeiros; e os primeiros serão os últimos; os mansos herdarão a terra. Mas, antes de redefinir completamente o mundo, precisamos fazer compras. ”

O oceano no fim do caminho

       O oceano no fim do caminho-Neil Gaiman

Por mais preparada que esteja, sempre me surpreendo com Neil Gaiman.


Como não se encantar com a expectativa de mais um livro do Neil Gaiman? Não ficar curioso com essa capa e saber o que vai se revelar por trás desse título? Se ainda não leu nada do Gaiman esta é uma ótima oportunidade de enfim poder conhecer seus trabalhos. Lembram da Semana Especial Neil Gaiman que rolou aqui no blog em comemoração a esse lançamento? Se não viram vale muito a pena dar uma conferida e conhecer mais sobre o autor.

Então, O Oceano no Fim do Caminho é um livro altamente recomendado. Ele é sobre um homem e suas lembranças de infância. Fantasiosas? Talvez. A questão é que esse novo trabalho do Gaiman é muito mais que as aventuras de um garotinho de sete anos, é sobre amizade, confiança (principalmente em si mesmo)ele fala sobre mudanças, crescimento, a forma como vemos o mundo... Tudo com uma profundidade tocante costumeira do autor e certa ironia.
Nosso protagonista – cujo nome não é mencionado – se apresenta como um homem de meia-idade que retorna ao lugar onde passou a infância para um funeral. Acontece que ao passar por sua antiga casa ele ainda continua descendo a rua até chegar ao lago da fazenda Hempstock, onde suas lembranças esquecidas há quarenta anos finalmente tomam forma.

Nosso narrador agora tem sete anos e acaba de se mudar com os pais e a irmã para o interior da Inglaterra, onde, por problemas financeiros alugam um quarto da nova casa para um sul africano que acaba cometendo suicídio dentro no carro da família. Sua morte foi o estopim, e a escuridão foi libertada. É então que somos apresentados as três misteriosas mulheres Hempstock (Lettie, a velha e a jovem senhora Hempstock) e ao mundo fantasioso que aos poucos se torna assustador de O Oceano no Fim do Caminho.
" – Ninguém realmente se parece por fora com o que é de fato por dentro. Nem você. Nem eu. As pessoas são muito mais complicadas que isso. É assim com todo mundo."

                                               Divergente:
Chegou a vez do tão falado Divergente aqui no Otávio Resenhas! Acabei de lê-lo na quinta  feira (17/04/2014)  e no mesmo dia corri pra ir assistir no cinema, e conto como foi pra vocês! ;)
Pra quem ainda não está familiarizado com a história, ela se passa em um futuro distópico, onde após aquela “terrível guerra” destruiu quase tudo, e os que sobraram resolveram dividir a sociedade em cinco facções, que determinam a sua “personalidade”, ou seja, se você acredita que o que causou as guerras foi o egoísmo, você irá para Abnegação. Se acredita que foi a ignorância, irá para a Erudição. Se acha que foi culpa da covardia,Audácia (que tradução mais… “não contavam com a minha astúcia!“). Se você culpa a agressividade, irá para aAmizade. E, por fim, se acha que o problema foi a duplicidade, irá para a Franqueza. As facções foram criadas com a intenção de evitar uma nova guerra, neutralizar as fraquezas da natureza humana, como eles dizem, para que se possa cultivar a “sociedade perfeita”.
E então temos Beatrice que, aos 16 anos e prestes a ter que escolher uma das facções para viver, está no conflito de abandonar sua família e atual facção (Abnegação) ou escolher ir para onde acredita pertencer. Mas ela vê esse objetivo ser complicado quando vai fazer o teste para ver a qual facção pertence, e obtém resultados inconclusivos, e a notícia de que é divergente. E que isso é perigoso, e lhe trará problemas.
Sem muitas informações e sem entender o que é e qual perigo isso representa, ela escolhe fazer parte da facção que sempre admirou: Audácia. Lá ela conhece Four, o Edward da vez. E tem que provar, não apenas para si mesma mas para seus instrutores e pessoas que a vigiam que ela pertence ao lugar.
Ok, vamos lá! Divergente é alguém que ameaça os “planos” de uma sociedade arquitetada, pois não segue os padrões e não pode ser controlado. Não pertence e não se encaixa em apenas uma facção, carregando características de mais de uma em si. Acho que essas são as principais informações, o mínimo sem spoiler que é legal saber para se interessar ou não pela história.
Sempre que ouvia falar sobre livro, era uma comparação enorme com Jogos Vorazes. Então, eu esperava muito, MUITO. Acho que esse foi meu erro. Não entendam mal, a premissa é ótima, a ideia é bem bolada… Mas mal elaborada. Não me conectei com nenhum personagem, achei que eles poderiam ter sido muito mais desenvolvidos, pois tinham muito potencial, tanto a história quando eles. Não sei, ficou raso, passei o livro inteiro esperando por algo acontecer, e quando aconteceu… Não me emocionou. No final do livro a autora quis colocar tantas emoções juntas, mas não soube trabalhá-las direito, tudo fica corrido, sem tempo para saber o que sentir, e no final todas essas emoções passam batidas. Fiquei um bom tempo sem me decidir se eu gostava ou não do livro… E decidi assistir ao filme para completar a experiência e tirar conclusões.  Talvez me conectei tanto comKatniss porque a Jennifer Lawrence ajudou. Então lá fui eu ontem, toda contente, assistir ao filme, na estréia. Erro, grande erro.
Os gritos a cada 5 – 15min de filme acabaram com a ida ao cinema. Entendo a empolgação dos fãs, mas estava ridículo. Gritaram quando o filme começou, quando apareceu o nome dos atores, cada vez que os atores apareciam na tela, falavam a palavra “Divergente“, batiam em alguém, se beijavam, tiravam a camiseta, sorriam, faziam uma piada… TUDO era motivo pra uma gritaria histérica e batuques. E quando um cara reclamou, uma garota respondeu gritando: “NINGUÉM ME CONTROLA, EU SOU DIVERGENTE!” … ¬¬. Eu tenho outra palavra pra definir o que ela é, mas vou guardar pra mim. Enfim, acho legal a empolgação, mas quando ela acontece nas horas certas. O exagero acaba irritando a sala toda! No final do filme MUITA gente reclamando da bagunça, que acabou se tornando uma palhaçada e atrapalhando quem queria assistir sem histeria. Fora a galera sem noção com celular, ou comentando sobre o que ia acontecer no filme porque já tinha lido o livro, ou comentando sobre coisas que aconteciam nos próximos livros, tudo isso em voz MUITO alta. Uma falta de respeito bizarra que infelizmente influenciou na minha experiência com o filme, acabei não aproveitando grande parte.
Enfim, fora o desabafo, tive algumas surpresas no filme, umas boas e outras ruins. Eu particularmente gostei dos atores, mesmo a atriz não batendo com a descrição da Triz, uma menina pequena, “não-bonita”. Mas ela conseguiu me passar alguma personalidade, coisa que o livro não conseguiu. Eles intensificaram o lado “Audacioso” dela, dando mais sentido para a escolha e evolução dela durante a iniciação na facção, coisa que não é focada no livro. Achei a Tris do livro apagada, comum, nada de extraordinário na garota divergente. Senti raiva dela várias vezes por não perceber o que acontecia ao seu redor, mas a do filme a completou e ficou no saldo positivo. E eu não conseguia visualizar direito o Four enquanto lia, e no filme ele ficou bem representado, e até mais interessante do que o do livro. Ponto positivo para o desenvolvimento dos personagens no filme!
E então, temos a história. Muitos pontos foram alterados, melhoraram muitas partes e pioraram outras, mudaram a ordem de acontecimentos… Até aí, normal, em toda a adaptação nós temos esses poréns. Em geral, eu gostei do que foi feito, mas também senti uma infantilização da história. Ok, é para um público infanto-juvenil, mas… Acho que certos aspectos não devem ser ignorados, pois influenciam na construção das personalidades e da própria história. Mas em compensação, foi adicionado certo humor, e disso eu gostei bastante!
O final foi beeem alterado! E eu prefiro muito mais o do livro. As ações do filme foram contraditórias e acabaram ficando estúpidas. Não dá pra explicar senão vai ser um spoiler danado, haha! Mas é bem incoerente com o que aconteceria na realidade. Acaba sendo um “tudo por quase nada”. Vou mudar de assunto senão vou acabar estragando o filme!
Uma coisa que eu adorei no filme foi como eles focaram em ensiná-la a como NÃO agir como uma divergente para não ser descoberta, o que no livro, fica muito em aberto. Parece que ela não entende o risco que corre ao agir como uma e se aproveitar dos “benefícios” que isso lhe traz. Gostei de terem corrigido isso!
O que me irritou muito foi a tradução das facções. Li o livro em inglês, e no final tem uma parte muito legal de bônus, com um Q&A com a autore, trilha sonora do livro, quotes que inspiraram a escritora, explicações, temas para serem discutidos… Fora dois capítulos do próximo livro, Insurgente. Enfim, vários tópicos bem legais que me deixaram um pouco mais satisfeita com o livro! E em um desses bônus ela fala sobre o nome das facções, que em inglês são: Dauntless, Amity, Erudite, Abnegation e Candor, três substantivos (Amity, Abnegation e Candor) e dois adjetivos (Dauntless e Erudite). E tem um porquê. Os membros de cada facção foram quem as formaram, decidindo e escrevendo seus próprios ideais e regras, e cada uma escolhendo seu nome, sem se importar com as outras. Em português essa ideia não foi mantida, e temos apenas substantivos, o que me deu muito a entender que foram formadas por algo maior, sabem?! E não organizadas “igualmente” entre seus membros. :/
E algo a ser celebrado! No futuro não haverá AIDS ou qualquer outro tipo de doença transmitida pelo sangue. O uso de apenas uma agulha para uma multidão é uma coisa normal. Ok, você já espetou essa mesma agulha no pescoço de mil pessoas, mas tá bom, pode espetar no meu também, sem crise. Um detalhe que não é importante, mas que me incomodou muito!
Final score: Sei que é estranho, parece que só falei mal, mas vale a pena, tanto o livro quanto o filme, para quem gosta do tipo! Eu até pensei em não dar continuidade na leitura da série, mas decidi ler, sim. A ideia é muito interessante, mas fica aquela impressão de que poderia ser melhor. E quem sabe eu não esteja julgando cedo demais?! Vou ver como a história evolui nos próximos livros e como me relacionarei com os personagens, para poder julgar melhor. Tem algo que intriga na série, e sinto que merece uma atenção maior! Quero saber o que está além da cerca!
A história tem um pouco de Matrix (essa foi uma garota da minha sala que me falou, e achei muito interessante, pela “simulação” a qual as pessoas são introduzidas em algumas etapas da sociedade), Jogos Vorazes (sim, se assemelham, mas não em tudo, apenas na parte de uma revolta contra um governo em uma distopia) e Harry Potter (haha! Eu não tinha percebido isso até ver o filme! A escolha das “casas” e como elas formam as prioridades, e como se tornam uma!), e também tem algo único. Espero muito que essa indisposição minha tenha sido apenas uma primeira impressão, e que as coisas melhorem nos próximos livros!